«que sentir é este sentir dos meus sentidos a sentir?»

«os sentidos são a engenharia da arte e o sentimento o projeto»

quarta-feira, 8 de julho de 2009

procuro-te






















Neste vai e vem
saio de mim
à procura de ti
sufoco na sede
do teu respirar
sem te encontrar

No desejo de te ter
saio de mim
e voo cego por ai
pela luz do sol
despejada na lua

Pudesse eu te ver
perdido neste caminho
sem morada ou destino!…

Pudesse eu ser teu corpo
na espera que me encontro
onde mordo os lábios
nos beijos que não te dou
ver-te despedida, nua
com a minha pele vestida
e a minha boca a tua

Sonho-te por onde não sei
hesito a ir por ali
esperando aqui um além!...

Neste compasso de tempo
um tempo se perde do tempo
tão grande é o desejo de te ter
que perco o querer de ser.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

escondo-me


























Escondo-me
Não para fugir do mundo
mas para que o mundo não fuja de mim

Escondo-me
Não por ter medo de nada
mas para que o nada seja tudo

Escondo-me
Não da multidão por onde ando só
mas para poder ser alguém

Escondo-me
porque espero que me encontres
mesmo sendo ninguém

Se me perguntares a onde estou
posso não saber responder-te

procura-me…

e se me encontrares
guarda esse segredo contigo
eu posso não reconhecer-me

domingo, 5 de julho de 2009

trai-me






















Acordo
e não estás
saíste por ai
embriagada
pela energia
de amantes efémeros
não te condenes
o homem e a mulher
nasceram do pecado
a traição
do pensamento
é cúmplice do corpo
peço-te apenas
não concedas
a tua alma
entrega-te
ao momento
não queiras
entender
o teu gemido
de prazer
(a noite é tua)
trai-me
(com o teu corpo)
viola as leis
da fidelidade
e esquece-me
nesse instante
(sem dor)
liberta
o teu ser
de uma vontade
de ti
tentação
não te condenes
peço apenas
não me digas nada
não me traias
com o teu olhar
olha-me apenas
como sempre,
sem contrição,
o que olhos
não vêem
o coração
não sente
não há traição
e eu
sou igual
a toda a gente.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

engano

Um desejo
um prazer
agita-se
o sémen
antes de se vir
selvagem
galopante
corpo trémulo
arrepiante
nervo de néctar
latejante
violento engano
num instante
acaba caído
no fundo
vazio de
tudo.

domingo, 28 de junho de 2009

certo silêncio

Hoje
só quero
um certo silêncio
uma palavra
sem letras
o dia
e a luz
uma obra
no céu
e um
olhar na terra
estrelas
com o sabor
do corpo
o que sou
sem ser
(e o vento
fustiga
meus lábios)

sexta-feira, 26 de junho de 2009

toco-te para te deixar de sentir



























toco-te para te deixar de sentir
e sinto-te quando o meu corpo
se dissolve no teu quando me tocas

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Lua Erótica






















Três horas da manhã
noite quente
vontade ardente
Ela tinha surgido
de um sonho ainda
não adormecido.

Ah se as suas palavras
irrequietas de desejo,
pulsantes de sensações,
pudessem transformar
aquelas quatro paredes
num mundo de emoções
indetermináveis:
- loucura ou sonho
- vontade ou desejo

Penetrar dentro dela,
cheirar a sua poesia
possui-la palavra a palavra
rasgar os seus versos
morder as suas profanidades
com os anseios da minha carne
na sua verdade ardente
é o meu sonho indeterminável…

Eu senti-a tanto
que perdi na noite
o meu respirar
Olhei a lua
e senti um beijo seu
que me devolveu
o ar que asfixiava o quarto.

Retornei a olhar
e reparei que ceguei
era ela tão erótica
que surgiu em lua
ou no luar do seu mar

O quarto ficou em silêncio
uma parte de mim
partiu sem outra parte de mim:
- foi amar o que nunca antes
tinha amado
e sonhar
como nunca tivesse sonhado.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

e me condeno tanto...
























É dia de verão
condeno o calor ardente
do meu corpo em ti
ele chegou depois
e nunca veio antes
e hoje ele não vai chegar
esperei antes de te ter
tive-te depois de não puder ser.

Perdi o lugar onde te esperava
só me resta o amparo do horizonte
já não chegas
e as ondas tombam de saudade.

Eras tu que fazias nascer as manhãs
aquecias o Sol com o teu corpo
enlaçado nos meus braços
e os teus lábios nos meus
avinhavam a tarde quente.

Anseio num repouso
em que já não te aguardo
aperta a água salgada
na minha boca
a conservar a palavra
para que se preserve intacta
até que a lua beije teus lábios
e nessa noite um só desejo
numa paixão já marcada
que vai despindo
a roupa que cai para o lado
e o meu corpo se deita no teu
…e me condeno tanto
amar assim é castigo!

E o meu grito afoga-se com a maré,
o meu silêncio voa agora na gaivota
que repousa nas águas do mar

Peço-te, as minhas palavras
sempre foram crime,
abate-me com o teu último olhar

terça-feira, 23 de junho de 2009

um pouco de ti que é muito



















Há um pouco de ti que é muito.
Incapaz de chegar até ti
guardo para mim
o pouco de ti que posso receber,
um quase nada que é tão imenso.

Este pouco qb, vindo de ti,
é tão grande que não encontro
espaço neste universo,
nem do universo dos universos,
para o reter.

De onde vens? Quem és? Eu de ti nada sei.
E apenas agora com tão pouco,
eu que pensava precisar de muito,
apenas quero um pouco de pouco
do pouco que me dás.

Tudo o que chega para perceber
todo o sentido dos meus sentidos…
E tão pouco sei quem és…
és apenas a última sílaba do silêncio
do meu último gemido de orgasmo

segunda-feira, 22 de junho de 2009

...só mais uma vez




















Só mais uma vez
o sabor dos teus lábios nos meus
e nus e rijos teus fartos seios
em aperto nas minhas mãos

...só mais uma vez!

Pudesse eu ser teu
e na tua cama a minha pele
a despir a tua de puro desejo
as almas esquecidas
e os corpos com os sentidos
a descer o desejo e levitar as almas
das mãos em brasa pelas carícias
do tocar da nudez da carne

...só mais uma vez!

Não há o lugar para as almas
Mas os corpos, os corpos se unem
fundo galgando margens
até tudo ser mar
Corpos tatuados de imagens
embriagadas pelo sémen
e o clítoris latejante de frémitos espasmos
e um silencio demorado
sussurrado pelo orvalho da carne
e o corpo jamais nega
eréctil falo na húmida vulva
o sabor de tudo começa aqui
no delírio do sentir de todas as vibrações
Qual alma que respira
o êxtase é do excesso do sexo
só os sentidos falam…

...só mais uma vez!

O tempo não é breve nem longo
as horas inundam as veias
perfumes, odores, sentidos…
os gritos que ainda se escondem
dentro do sexo das nuvens…
que por vezes numa brisa
toma a tua forma despida
e te folheia folha a folha
em som da voz a chamar por ti

... só mais uma vez!

E tanto amor fizemos
que não coube nesta vida
ambos tivemos que morrer
para nascer outro dia talvez
Este tempo sem testemunhas
que quase não passou por aqui
apenas esta ausência profana
que ainda arde
e viola todas as leis…

...só mais uma vez!
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