
De repente, no tardio da noite
Que verte estrelas em semente
Orvalham faltas inexplicáveis,
Vindas do silêncio vazio da mente
Tornando a ausência em gente.
São nostalgias de mares,
Imaginárias paisagens,
Vida que poderia ter sido,
Em outro lado e momento,
Mas que se perdeu no tempo.
E me falta mais, muito mais,
Pois falta tempo, falta alento,
Falta um murmúrio no vento
Que me traz de bem longe
O instante que me fez calar,
Sem nada conseguir entender,
Tentei no silêncio somente escutar.
E faltando tudo isto
Falta o fundamental
Que preenche este vazio
Que sinto no lugar
Que em mim deveria estar.
No meu quarto te procuro
Tacteio, vacilo e acaricio
Mas só encontro este vazio
Dando por mim, agora sozinho
Sentindo a falta do teu ventre macio,
Feito de céu com fios de linho.
Neste noite escura, já tardia
Que verte uma gota em semente
Percebi em tão pouco tempo
O que o tempo quis esquecer
Pela minha falta de ausência
Fiquei com a mágica essência
De uma lembrança latente.
© Jorge Oliveira
Publicado no R.Letras em 07/05/2008
Código de texto: T978686
AUSÊNCIA
1 comentário:
Passei por aqui...
Meu Amigo Não Poeta...
Gostei do que li...
Tua poesia vai de larva
a borboleta...
(Era também para rimar..:)
Mas sinto teu crescimento; à procura de dizer mais que aquilo que é dito. Na procura, todos os sentidos se querem encontrar... Parabéns e mais não digo...:)
Enviar um comentário