«que sentir é este sentir dos meus sentidos a sentir?»

«os sentidos são a engenharia da arte e o sentimento o projeto»

quarta-feira, 7 de maio de 2014

cuidar bem dela…


viver … este difícil brotar
para sentir o sol
essa capacidade de desabrochar
até amadurecer os frutos

esta força de superar os golpes
dos ventos fortes
das chuvas das geadas frias
das secas e das terras ardidas

o nascer que pode viver
das sementes e vencer
ou raiz que pode morrer
antes de germinar 
ramos mortos sem vida
um peso inerte na terra

eu sempre socorro uma flor
e espremo a minha carne viva
para ser a substancia nutritiva
a alimentar a esperança sentida
na flor que outrora foi moribunda
a ficar mais sólida e enraizada 

capaz de sarar suas feridas

eu dou a minha vida por ela
e eu sei que ela sabe 
que se leva a minha energia
o meu corpo cairá morto a seu lado
e na terra onde cresce
será o adubo que a terá ajudado
a crescer forte e bela

morto estou deitado com ela
…que venha alguém

(então agora)
para cuidar bem dela…





terça-feira, 6 de maio de 2014

mas os meus sonhos…

que importa esta dor
o que interessa é a tua vida
ter a alma livre para voar
no encontro de um olhar

longe dos meus braços
perto de teu amor
longe da minha voz
e do toque dos meus dedos
na tua pele nos teus seios

sim… a vida é aprender
aprender a mentira
saber deixar a não verdade
e partir para outro lugar
viver e morrer num amor
sem cair ao por do sol
p’lo amor que poderia ter sido
para sempre…
…sempre meu - sempre teu

fica apenas a memória
do olhar julgado verdadeiro
e um amar só de prazeres
um jogo começado por terminar
a tristeza de não te ter

mas os meus sonhos…

domingo, 6 de abril de 2014

única verdade que acredito



sei que já li uns quantos livros
reconheci algumas palavras
pensei até que poderiam ser minhas
mas não sei por lá não me encontrei

escrevo palavras mas não as sinto
não se ortografa o sentimento
o ódio ou o amor da existência
um livro de fé ou de descrença
as palavras são todas iguais
o sentir das almas é que é diferente

as palavras são de ninguém
escritas apenas por alguém
numa fala muito vaga de si
não se identifica não se decifra
apenas vive do princípio ao fim

e sabendo tudo isto
eu sei que não consigo
compor as palavras de mim
é inútil viver a vida assim
a tentar escrever a minha alma
não há palavra que me valha

então quando eu morrer
quero o meu corpo a arder
com as palavras que escrevo

céu e terra em perfeita união
eu e as palavras a mesma causa
pó e cinzas da vida em uma só alma
comungando tão real comunhão

do pó vieste e ao pó retornarás
eu e as palavras escritas atrás
única verdade que acredito

sábado, 5 de abril de 2014

num quase nada tornar a ser gente

perdido em ti por um quase nada
a sentir o muito que hei sentido
lembrando as nossas bocas em delírio
na procura delirante da carne alucinada

julguei-me feliz por te sentir assim
com o teu maroto e ardente sorriso
senti todo o universo dentro de mim

quão imenso em tão pequeno paraíso

mas saíste naquele dia - sumiste
quedar-me-ei por ai a andar triste
sozinho pelas tardes ao sol poente

o sonho das minhas noites já não existe
como preciso do pouco de ti novamente
p’ra num quase nada tornar a ser gente

quarta-feira, 2 de abril de 2014

inquieto por ser metade

i
inquieto
espero por ti
aguardo os teus olhos
a olhar para mim

inquieto
espero o momento
do que nunca fui
o que quero ser

inquieto
espero ansioso
aquela paixão
onde ando perdido

inquieto
espero-te à noite,
embalada em meus braços
a matar esta solidão 

inquieto
espero-te alegremente
aqui e agora ávido de ti
querendo-te para mim

inquieto
espero o amor de nós
o que ficou por fazer
o que ainda pode acontecer

ii
espero-te nos meus sonhos
nas quimeras que já sonhei
espero-te no infinito
num céu apaixonado

espero nos destinos nos acasos
nos encontros e desencontros
espero por ti na vasta eternidade
do tempo à procura da verdade

esperei e quero esperar…
esta esperança de ti…
mas quando estiveres perto de mim
deixa-me esperar mais um momento
a olhar-te de olhos fechados
para que os teus olhos
não vejam os meus
no momento tão desejado
em tão esperada saudade
de alguém tão enamorado
tão inquieto por ser metade

terça-feira, 1 de abril de 2014

brincar no teu corpo




uma casa para quê
se é no lar do teu peito
que quero morar
e por lá guardar
os meus brinquedos
do meu tempo de criança

se me ousas abrir a porta
permite-me sair
de vez em quando
para brincar no teu corpo

domingo, 30 de março de 2014

loquacidade desmedida

perdido nas ruinas do sentimento
procuro pedaços do meu passado
na esperança de me decifrar no tempo
na onírica relíquia da minha fachada
escupida nas rochas pelo vento
a morte de uma vida anunciada
numa descoberta arqueológica do presente
vestígios pedestre da minha figura plena
numa acrópole subterrada no mar egeu
onde encontrei a minha face oculta
com a expressão de um sonho futuro
de um homem cheio de júbilo
a tentar prolongar uma vida
adormecida por entre as épocas
e esquecida nos livros de poesia
escritos na cor opala de ónix
e redescoberta numa efígie da terra
em uma nova loquacidade desmedida


sábado, 29 de março de 2014

adormeço nos tentáculos de m’alma


à beira da praia
sinto o pensamento dos rochedos
e em meus lábios arde a flor de sal
recém-chegada da noite

escorre pela garganta seca de silêncio
a inundar o meu corpo de areia
tentando cobrir esta solidão
da sua incapacidade de expressão

e nas ondas surge um vazio
de uma concha fóssil secular
a rasar a vastidão do mar
onde ferve um tempo reprimido

entrego-me ao fundo do oceano
para encontrar outra luz outra vida
suspensa na densidade das águas

aconchego-me nos limos e nas algas
e preso na rede dos meus sonhos
adormeço nos tentáculos de m’alma


terça-feira, 25 de março de 2014

ao nascer do sol logo pela manhã

como sinto a falta dos teus olhos
a falar comigo com teu olhar
quando perturbavas os meus sentidos
e sentia os teus beijos húmidos
em meus lábios desesperados
e me provocavas tanto... mas tanto
fazendo arder os meus desejos

sem me tocares era apenas o olhar 

como era … sim como era…
a expressão penetrante desse olhar
a deslizar no meu corpo
e a afagar a minha respiração
quando teus olhos olhavam os meus

e tudo o que queria era olhar-te de novo
ao nascer do sol logo pela manhã



domingo, 23 de março de 2014

te quero agradecer

hoje senti infindas saudades de ti
fui caminhar até à praia para ver o mar
não quis escutar as ondas escolhi o ar
para ouvir o teu coração bater em mim

meus olhos abriram-se para o sol a brilhar
e ceguei nos seus raios onde pude sentir
dentro da minha cegueira a luz do teu olhar
lá longe mas perto da tua família a sorrir

neste anseio sinto meus lábios secos
não é o sol que me está a trazer esta sede
são as saudades de acariciar teus seios
entre beijos num campo de seara verde

na praia espero o dia a passar por mim
ao largo olho os barcos já a regressar
sei que eles não me trazem notícias de ti
mas tocam as águas que te irão beijar

ao luar e à beira-mar passam por ali
amantes descalços em corpos abraçados
deixando para trás marcas de namorados
em aroma de imagens que me levam a ti

lá bem alto no céu as estrelas já brilham
e vejo-te perdida sem nenhuma companhia
grito alto mas não sei bem se me ouviram
- olhem! ali sozinha - a minha estrelinha!

fecho os olhos lentamente para te tocar
ponho dentro da minha mão a tua beleza
e guardo o sorriso que me fez apaixonar

 quando um dia senti por ti esta certeza

não sei mais escrever - dizer o que sinto
os verbos ficam presos na dicotomia
de palavras escritas sem qualquer sentido
e apago este poema por não ser poesia

mas sei que é grande esta imaginação
tanta coisa que pode e não pode ser
eu apenas te quis por no meu coração
e só por isso eu te quero agradecer

quinta-feira, 20 de março de 2014

doce sabor de um amor



dolente o meu olfato
do perfume de teu corpo
divido-te entre duas tonalidades
harmonia ou engano

uma luz a requerer ser contraluz
e o preto a querer ser branco
abstratismo ou realismo puro
impressionismo ou cubismo de picasso
quiçá dali e seu surrealismo
a dar sentido ao teu corpo nu
nos traços e nas linhas curvas
desengano das minhas mãos
obra prima de arte visionada
de quem de fama não tem nada

ébrio fulgor de um veneno
ou doce sabor de um amor


terça-feira, 18 de março de 2014

reduzir a pó os poemas e quem os faz


nos meus olhos o amor se deitou
adormeceu com as memórias de ti
e na cama húmida de lágrimas sonhou
na noite das noites que não têm fim

noite escura onde brilham primaveras
de um ébrio amor de um luar ardente 
vindo de céus de estrelas de outras eras
onde dois corpos se amaram loucamente

e no calor da lareira onde me aqueço
queimo paixões de um desejo bem fugaz
nas labaredas de chamas no firmamento

aguardo o tão esperado silêncio de paz
nas cinzas que arrefecem diante o tempo
a reduzir a pó os poemas e quem os faz


segunda-feira, 17 de março de 2014

eu estou lá fora


sinto-te perdida nesta vida
viras as costas à tua alegria
e ao amor não sentido ainda

sinto o teu corpo em lamento
uma solidão presa num gemido
no grito que me traz o vento

qual dor qual sofrimento
de um olhar já tão dolorido
de tão sagrado sentimento

recorda - amor - este momento
deste sentir a te sentir agora
num suave e breve fragmento

é hora - tenho que ir embora
eu nunca quisera ser violento
com a tristeza que em ti mora

a alegria de mim é o teu alento
abre a porta - eu estou lá fora


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