«que sentir é este sentir dos meus sentidos a sentir?»

«os sentidos são a engenharia da arte e o sentimento o projeto»

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

RETRATO DE NU





























A nudez corre-me nas mãos
no estremecer da caneta,
chegando por todo lado
no branco da minha tela.
Contornos lineares fazem adivinhar
o fogo da carne da tarde quente
deste Verão escaldante.
O corpo refresca no quadro,
de contornos poucos
mas que chegam para as mãos
sentirem toda a sua nudez.
Encarna o amor na ponta dos dedos:
onda branca de espuma firme
(feita de pincel fino)
adivinha a musica que atravessa
a melodia das tintas para o pintor.
Um corpo a outro corpo
se mistura no atelier do retrato
e já não incarna o amor,
apenas os tons rosados,
amarelos e encarnados,
contra um chão da paixão,
onde o olhar gasto se liberta
na respiração de uma cereja
de vermelho vivo perdido no branco.
De novo encarnam lábios beijando
bocas em tão loucos desejos:
feitos de um beijo que não foi pintado.

© Jorge Oliveira
Publicado no RL em 05/08/2008
Código do texto: T1113987
RETRATO DE NU

2 comentários:

Sofia disse...

Mais um belissimo poema como tantos outros deste blog :) continue assim e nunca deixe de escrever. Beijos

Jorge Oliveira disse...

É sempre bom ler palavras tão reconfortantes. Sinto maior incentivo para escrever.
Muito Obrigado

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