«que sentir é este sentir dos meus sentidos a sentir?»

«os sentidos são a engenharia da arte e o sentimento o projeto»

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

VOLTA ATÉ MIM






















Ando vagueando
em dormentes estados
de coma vegetal de sonhos
(fico inerte no sofá)
Se soubesses desta tristeza
se a pudesses sentir
voltavas até mim
num silêncio qualquer
só para me abraçar
Sentirias o meu corpo levitar
Entre uma qualquer palavra
(palavras que não esqueço)
vinda da tua voz de silêncio
que tanto me habituaste

Peço-te, volta até mim
Não venhas em corpo
nem tão pouco em alma
Volta na forma de ausência
em silhueta embaciada
no espelho da minha memoria
mesmo que uma lágrima de vidro
torne os meus olhos baços
mas que me faça sentir
as células dentro de mim

Vem, volta até mim
Deixa-me sentir teu corpo
em aceno ao vento
a despir-te por dentro
A desenhar teu rosto
com traços delineados
esboçando ruínas
dando forma real ao meu

Vem, vem com as andorinhas
de lugares distantes
pelas correntes de diamantes
que te conduzem até mim
com um outro qualquer fim...
Traz somente contigo o silêncio
Esse silêncio que me faz gritar
Amar! Amar!

© Jorge Oliveira
Publicado no RL em 19/05/2008
Código de texto: 996440
VOLTA ATÉ MIM

2 comentários:

Anónimo disse...

Até mesmo quando se grita em silêncio, inexplicavelmente alguém nos ouve... pois sentimo-nos mais aliviados. E um grito sentido vale por mil palavras! Eu sei... O olhar também...:) E mais não digo... Jinho

Jorge Oliveira disse...

:-)... Bigado!...

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